Programação marca o Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua

Atividades promovidas pela Pastoral do Povo da Rua e pela Rede Dom Helder Câmara da Arquidiocese do Rio reuniram movimentos sociais, instituições públicas e pessoas em situação de rua em ações de formação, mobilização e celebração

A Pastoral Arquidiocesana do Povo da Rua do Rio de Janeiro e a Rede Dom Helder Câmara de Economia Solidária realizaram, nos dias 18 e 19 de agosto, uma programação dedicada ao Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua. Com o tema “Memória, Resistência, Protagonismo e Direitos Humanos”, as atividades reuniram pessoas em situação de rua, trabalhadores das políticas públicas, representantes de movimentos sociais, defensores dos direitos humanos e instituições da Igreja.

A programação aconteceu na Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro, na Cinelândia e no Santuário Cristo Redentor, com rodas de conversa, apresentações culturais, atividades formativas, mobilização pública e uma celebração eucarística.

Formação, cultura e protagonismo

No dia 18 de agosto, as atividades foram realizadas no PAR Dom Helder Câmara, Ponto de Apoio à Rua localizado na Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro. A jornada começou com o acolhimento dos participantes e um café da manhã, seguido da abertura oficial.

Durante a manhã, uma roda de conversa abordou a formação popular e a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da População em Situação de Rua. A atividade contou com a participação da Fundação Oswaldo Cruz, Fiocruz, e promoveu reflexões sobre os desafios relacionados ao acesso à saúde e à garantia de atendimento integral para pessoas que vivem nas ruas.

Mobilização na Cinelândia e defesa de direitos

No dia 19, data que marca o Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua, as atividades começaram com um café da manhã coletivo e um painel sobre a organização dos movimentos nacionais de luta e defesa dos direitos dessa população, na Catedral Metropolitana.

A discussão contou com a participação de Laura Dias, representante do Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento da Política Nacional para a População em Situação de Rua, CIAMP-Rua Nacional, e do Movimento Nacional de Luta em Defesa da População em Situação de Rua.

Em seguida, a mobilização chegou à Cinelândia, na região central do Rio de Janeiro, onde pessoas em situação de rua protagonizaram um ato público acompanhado por representantes de movimentos sociais, organizações e instituições comprometidas com a defesa dos direitos humanos.

A atividade incluiu um ato simbólico e memorial, a leitura coletiva de um manifesto e a apresentação de reivindicações relacionadas à moradia, à saúde, à assistência social, à segurança alimentar, ao trabalho e à geração de renda.

A mobilização também contou com a participação do Fórum Permanente de Defesa dos Direitos da População em Situação de Rua do Rio de Janeiro, do Fórum Municipal dos Usuários do Sistema Único de Assistência Social, SUAS, do Fórum Estadual da População em Situação de Rua, da Defensoria Pública e de outras organizações.

Missa no Cristo Redentor encerra programação

As atividades foram encerradas na noite de 19 de agosto com uma missa no Santuário Cristo Redentor, presidida pelo monsenhor Manuel de Oliveira Manangão.

A celebração contou com a participação do Coral Canto da Rua, formado por pessoas acompanhadas pela Pastoral do Povo da Rua e pela Rede Dom Helder Câmara. Por meio da música, o grupo levou ao Santuário as histórias, as experiências e a luta por dignidade das pessoas em situação de rua.

Participaram da celebração Caroline Dias dos Reis, secretária-executiva do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania; Valéria Caldi Magalhães, juíza do Tribunal Regional Federal da 29 Região e presidente do PopRuaJud; Laura Dias, representante do CIAMP-Rua Nacional e do Movimento Nacional de Luta em Defesa da População em Situação de Rua; Silvia Gonzaga, coordenadora dos projetos sociais do Consórcio Cristo Sustentável e presidente da Obra Social Leste Um, O SOL; e Tania Ramos, da Pastoral Nacional do Povo da Rua e da Rede Dom Helder Câmara.

Após a missa, o Cristo Redentor recebeu uma iluminação especial com a cor do Movimento Nacional da População em Situação de Rua, em um gesto de solidariedade e visibilidade à mobilização.

Articulação entre organizações e movimentos

A programação foi realizada pela Pastoral do Povo da Rua do Rio de Janeiro e pela Rede Dom Helder Câmara, em parceria com a Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro, o Vicariato para a Caridade Social da Arquidiocese do Rio, o Movimento Nacional de Luta em Defesa da População em Situação de Rua, o Movimento Nacional da População em Situação de Rua, o Fórum Permanente de Defesa dos Direitos da População em Situação de Rua do Rio de Janeiro, o  Fórum Estadual da População em Situação de Rua, a Defensoria Pública, o Sefras e os coletivos Cria, A Nova Chance e Coletivo em Defesa e Apoio à População em Situação de Rua (RJ), entre outras organizações e movimentos sociais.

Memória do Massacre da Sé

O Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua faz referência ao Massacre da Sé, ocorrido em 2004, em São Paulo. Na ocasião, 15 pessoas em situação de rua foram atacadas enquanto dormiam. Sete morreram e outras oito ficaram gravemente feridas.

O episódio tornou-se um marco na denúncia da violência, da invisibilidade social e das violações de direitos enfrentadas por essa população. Em 2025, a Lei nº 15.187 instituiu o Dia da Luta da População em Situação de Rua, celebrado anualmente em 19 de agosto.

A data reforça a necessidade de políticas públicas efetivas e do compromisso de instituições, movimentos sociais e poder público com a defesa da vida, da cidadania e da dignidade das pessoas em situação de rua.

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