A iniciativa promove espaços de cuidado e dignidade por meio da música, fortalecendo o protagonismo das pessoas em situação de rua
Diante de um público numeroso no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, as vozes do Coral Canto
da Rua deram visibilidade às histórias, aos talentos e à esperança das pessoas em situação de rua. A
apresentação, realizada durante a 126ª Romaria da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, nos dias
28 e 29 de agosto, tornou-se um dos momentos mais significativos da trajetória do grupo e renovou o ânimo
de seus integrantes.

Iniciativa da Pastoral do Povo da Rua, desenvolvida nas dependências da Catedral Metropolitana do Rio de
Janeiro e fortalecida pela Rede Dom Hélder Câmara de Economia Solidária, o Coral Canto da Rua é mais do
que um grupo musical. É um espaço de acolhimento, convivência e cuidado, no qual a música contribui para
fortalecer vínculos, recuperar a autoestima e reconstruir trajetórias.
Nos ensaios, cada participante encontra a possibilidade de compartilhar seus talentos, ser escutado e
construir novas relações. A experiência também atua na perspectiva da redução de danos, ao oferecer um
ambiente seguro de pertencimento e participação comunitária. Mais do que cantar, os integrantes reafirmam
que possuem voz, história e o direito de ocupar diferentes espaços da sociedade.



A apresentação em Aparecida tornou esse propósito ainda mais visível. Ao cantar diante de tantas pessoas,
o grupo não apenas participou de uma importante celebração religiosa, mas ocupou um espaço
historicamente significativo, mostrando que a população em situação de rua também é parte viva da Igreja e
da sociedade. Ser visto, ouvido e reconhecido é uma dimensão fundamental dessa experiência.
De acordo com Tania Ramos da Pastoral do Povo da Rua e Rede Dom Helder, a religiosidade vivenciada pelo
Coral Canto da Rua nasce de uma perspectiva de acolhimento. “Ela não naturaliza a situação de rua, nem
reduz seus integrantes a destinatários de assistência. Ao contrário, reconhece seu protagonismo e sua
capacidade de produzir cultura, construir comunidade e anunciar, por meio da própria voz, novas
possibilidades de vida”, ressalta.

O coral também se apresenta em igrejas, universidades, espaços públicos, eventos sociais e encontros sobre
direitos humanos. Em cada apresentação, ajuda a romper estigmas e aproximar diferentes realidades. Na
força coletiva do canto, seus integrantes encontram um espaço onde se constrói vida, se recuperam
perspectivas e se refazem caminhos.
Romaria da Arquidiocese do Rio: 126 anos de história, fé e esperança
A Romaria da Arquidiocese do Rio de Janeiro a Aparecida teve início em 1900, com cerca de 400 fiéis, e passou
a ser realizada oficialmente no último sábado de agosto a partir da década de 1970. Atualmente, reúne quase
100 mil peregrinos. Em 2026, sua 126ª edição teve como tema “Com Maria, missionários da paz e da unidade”
e integrou as celebrações dos 450 anos da Prelazia e dos 350 anos da Diocese do Rio de Janeiro.